“O problema é que a sua vida é uma merda. Com ele, ou sem ele. E vai continuar sendo uma merda. O problema é que ninguém se importa se você ta realmente feliz onde está, com quem está e consigo mesma. E você também não se importa com os outros. O problema é esse. Somos montes de merdas se lamentando por aí por sermos merdas. Que merda.”
“Mas nunca planejei que um dia
eu perderia você.”
“Deixei o meu coração na porta, no tapete, te esperando. Deixei a porta encostada e fui arrumar a casa pra o novo. Parece ridículo dizendo assim, mas foi exatamente o que eu fiz. Pela primeira vez em anos não fechei a porta, não tranquei os cadeados. Queria você, mas abraçaria o que viesse. Não veio nada, nem você que disse que viria, nem o correio, nem o síndico cretino, nem a vizinha hipócrita, nem testemunha de jeová, ninguém. Me senti sozinha, e apesar de ser, detesto me sentir assim, então fui forjar alguma companhia. Pisei no coração ainda no tapete, bati o pé, que se sou cruel comigo a crueldade do mundo não me assombra. Mas ele me seguiu como um cachorro sarnento, cuspindo sangue pelo corredor. Com medo da sujeira que fazia o recolhi. E fui pra um bar qualquer.
Dessa noite tudo que me lembro é de estar em um apartamento de um cara parecido com você e ter dito assim:
- Pedro - sim, é teu nome, não sei o dele - por que os cigarros acabam? Devia ser proibido. Amores deveriam acabar, cigarros não.
O cara sorriu, me jogou o maço e disse:
- Cigarros não precisam acabar.
Tranquei a porta de novo.”